
RIO – A Apple realizou em San Francisco, semana passada, a tradicional WWDC, conferência anual em que apresenta as novidades para sua grande legião de seguidores. Foram dias de surpresas e discussões. Já na abertura do evento, a Apple fez para desenvolvedores uma das mais longas apresentações da empresa. Com Steve Jobs de licença médica, os vice-presidentes se revezaram por mais de duas horas na palestra de boas-vindas. Valeu a pena. As novidades para os fãs não foram poucas: novo iPhone, novos MacBooks, novo Mac OS X… E até os usuários de Windows (!) ganharam atualização de software.
Como de costume, vamos por partes. E comecemos pelo produto mais popular da empresa: o iPhone. Scott Forstall, vice-presidente de software do iPhone, reeditou parte da keynote que em março apresentou o iPhone OS 3.0, com alguns números novos e outras notícias sobre a atualização de iPhone e iPod Touch.
Destaque para os 50 mil programas disponíveis para iPhone na AppStore, que chegou recentemente à marca de um bilhão de programas baixados em nove meses, e os 40 milhões de dispositivos móveis vendidos pela Apple (soma de iPhones e iPods Touch), ultrapassando o número de usuários de Macs ativos (cerca de 35 milhões).
Entre as novidades anunciadas estão o já esperado “recortar, copiar, colar e desfazer”, busca nos programas e via Spotlight, download de vídeos no iTunes (incluindo videoclipes, seriados, audiobooks e compra ou aluguel de filmes), suporte a HTML 5, streaming de áudio e vídeo via HTTP, preenchimento automático de formulários, novos idiomas (34 no total), controles parentais (com classificação para filmes, séries e programas) e versões horizontais para Mail, Notas, Bolsa e Mensagens (que agora permitirá envio de MMS). Este recurso, porém, depende do suporte da operadora e será oferecido por 29 parceiras da Apple em 76 países inicialmente.
Por enquanto, não há informações sobre quais operadoras oferecerão o serviço por aqui, embora TIM, América Móvil (Claro) e Telefónica (Vivo) tenham sido listadas na apresentação. Todas elas oferecem o iPhone em outros países além do Brasil, mas curioso foi quando Forstall explicou que a AT&T, distribuidora do iPhone nos EUA, só irá oferecer o recurso “no fim do verão americano”, provocando risos no público presente.
iPhone ganha recurso para ajudar quem costuma perder o celular
Outra novidade sem previsão de disponibilidade para os brasileiros é o Tethering, que permite compartilhar a conexão de internet do iPhone com Macs ou PCs via USB ou Bluetooth. Neste caso, os americanos também estão na mesma situação que nós. O serviço será oferecido por 22 operadoras em 42 países, mas desta vez Forstall nem comentou quando (e se) o serviço será oferecido pela AT&T.
Para os esquecidos, ou talvez azarados, uma boa notícia é o “Find My iPhone” (encontre meu iPhone), que permitirá usuários do Mobile Me descobrir a localização exata do aparelho. Ao acessar o site, um mapa mostra a localização do aparelho e permite enviar uma mensagem para o iPhone ou emitir um som de alerta (que será executado mesmo com o telefone em modo silencioso). É possível até mandar apagar todos os dados remotamente e, caso volte a encontrar o aparelho, é só conectá-lo ao computador e recuperar os dados do último backup.
A atualização estará disponível esta quarta-feira, 17 de junho, será gratuita para todos os usuários de iPhone (3G ou primeira geração) e custará US$ 10 para usuários de iPod Touch (primeira e segunda gerações). Os desenvolvedores já receberam a versão final para testar os programas e prepará-los para o lançamento desta semana.
iPhone 3GS: câmera, mais velocidade, menor preço
Após a apresentação do novo iPhone OS, foi a vez de Phil Schiller, vice-presidente de marketing de produtos da Apple, apresentar o novo aparelho: o iPhone 3G S. Além do novo OS 3.0, ele virá com algumas novidades exclusivas para o novo hardware, como uma bússola interna que permite posicionar o aplicativo Mapas na direção para onde o aparelho está virado, controle de voz para ligações e música, uma nova câmera de três megapixels com foco automático (é possível tocar na tela para definir o objeto de foco) e que permite gravação de vídeo VGA com até 30 frames por segundo, além de edição e compartilhamento no YouTube ou Mobile Me.
O novo iPhone ganhou também em velocidade tanto pelo novo software quanto pelo hardware. Um teste de JavaScript que demorava 126 segundos no iPhone 3G rodando o OS 2.2.1, demora 43 segundos no OS 3.0 e apenas 15 segundos no novo iPhone 3GS. Outras tarefas comparando o iPhone 3G com o 3GS rodando o mesmo software mostraram-se duas a três vezes mais rápidas. O novo hardware conta com um processador de 600MHz e já está pronto para a nova rede 3G de 7.2Mbps HSDPA.
O iPhone 3G S será lançado nos EUA e em outros 7 países na próxima sexta-feira, dia 19. Visualmente, o aparelho não sofreu modificações, e continuará com os modelos preto e branco com 16GB e 32GB de capacidade, por US$ 199 e US$ 299, respectivamente.
Já o modelo atual do aparelho (sem bússola e com câmera de 2 megapixels) continuará à venda na versão 8GB – nos Estados Unidos, ele já teve seu preço reduzido para US$ 99. Outros 34 países receberão o aparelho ainda em junho e julho, mas o Brasil ficou no grupo dos que vão recebê-lo em agosto, ainda sem data ou valores estabelecidos.
Snow Leopard usa melhor a memória do computador
Já o Snow Leopard, novo sistema operacional da empresa, mira na melhora de performance. Quase todos os aplicativos estão em 64 bits e usam melhor a memória do computador.
Os Macs atuais podem ser configurados com até 32GB de memória, mas os aplicativos de 32 bits só trabalham com 4GB por vez. O suporte a 64 bits aumenta esse limite para teóricos 16 bilhões de gigabytes, de qualquer forma o Snow Leopard já está preparado para suportar 16 terabytes de RAM, algo que está longe de ser considerado “normal” e bem acima dos 128Gb de limite do Windows Vista.
O Snow Leopard também conta com uma nova tecnologia chamada Open Computing Language, ou OpenCL, que aproveita o uso dos chips gráficos para qualquer tipo de programas e não apenas os mais exigentes com gráficos 3D.
O sistema será lançado mundialmente em setembro e seu preço será bem menor que os US$ 129 dólares cobrados pelo OS X: apenas US$ 29. Aqueles que compraram Mac após 8 de junho terão direito a fazer upgrade por US$ 10. Os preços no Brasil não foram divulgados.
O navegador da Apple que virá como padrão do Snow Leopard também foi lançado oficialmente. O Safari 4 já está disponível para download gratuito nas versões para Mac OS X Tiger e Leopard e Windows XP e Vista. Entre as novidades estão navegação pelo histórico e bookmarks através do Coverflow (mesmo recurso utilizado para exibir capas de disco no iTunes) e o Top Sites, que exibe os sites mais acessados pelo usuário ao abrir o navegador e informa quais deles foram atualizados desde o último acesso.
O Safari 4 também ganha em performance se comparado com os principais concorrentes, de acordo com benchmarks apresentados pela Apple, até 7,8 vezes mais rápido que o IE8. O navegador também atingiu nota máxima (100) no teste Acid3, que verifica a compatibilidade com padrões Web, deixando para trás concorrentes como o Firefox (nota 70), IE7 (nota 14), IE8 (nota 21) e Opera (nota 85).
Safari traz sistema para prevenir panes
Com isso, o Safari conseguiu ser a primeira versão final de navegador para desktop com esta nota. A versão em desenvolvimento do Opera já atinge a mesma marca e a futura versão do Firefox já chega a 94/100. O Google Chrome utiliza o mesmo engine do Safari, o WebKit, mas, apesar de também conseguir a nota 100 no Acid3, apresenta um erro de link ao fim do teste.
Alguns novos recursos são exclusivos para os usuários do Mac OS X, como o JavaScript em 64 bits, que permite uma performance 50% mais rápida, e Crash Resistance, que previne panes do navegador causadas por plugins. Neste caso, apenas o plugin não é exibido, e basta atualizar a página para exibi-lo corretamente. Como a principal causa de panes no Safari são plugins, esse recurso é uma boa notícia para os usuários e uma alternativa ao método do Google Chrome de tratar abas como processos separados.
Para os usuários de Windows, a principal novidade está na interface. Ao contrário do Safari 3, a versão 4 tem o visual nativo do Windows XP ou Vista e agora dá a opção de utilizar a mesma renderização de fontes do sistema. Usuários de Windows que achavam textos no Safari “embaçados” não terão mais este problema.
Além do novo iPhone, Phill Schiller anunciou também upgrades para os MacBooks, a linha de notebooks mais verdes do mundo. Os MacBooks Aluminum de 13 polegadas foram renomeados e agora se juntam à família de MacBooks Pro. Todos receberam processadores mais rápidos (Intel Core 2 Duo de 2.26GHz a 3.06GHz), um leitor SD (exceto o modelo de 17 polegadas, que continua com ExpressCard 34), FireWire 800 (inclusive os de 13 polegadas) e suportam até 8GB de memória. Outra novidade é a bateria integrada nos modelos de 13″ e 15″, que aumenta a duração para sete horas nos dois modelos (no de 17″ a bateria dura até oitro horas). As opções de armazenamento Serial ATA variam de 160Gb a 500Gb. Também são oferecidas duas opções de drive SSD com 128GB ou 256GB. Os preços das configurações básicas nos EUA variam de US$ 1.199 dólares a US$ 2.499.
O MacBook padrão (ou “não Pro”) terá apenas o modelo branco de 13 polegadas com processador Intel Core 2 Duo de 2.13GHz, memória de 2GB (expansível até 4GB), drive Serial ATA de 160GB (com opções até 500GB) e será vendido por US$ 999. O MacBook Air também ganhou processador mais rápido (2.1Ghz) e recebeu uma redução de US$ 700 dólares no modelo mais caro com drive SSD de 128Gb, agora vendido por US$ 1.799. A versão mais básica do Air, com processador 1.86GHz e drive Serial ATA de 120Gb, é vendida agora por US$ 1.499. Os preços no Brasil ainda não foram anunciados.